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AUTOGESTÃO DO HABITAT

Pela primeira vez na história do Brasil existe financiamento para a produção autogestionária da habitação, embora o formato da política ainda esteja aquém das perspectivas e demandas práticas dos grupos que estão na ponta deste processo, gerindo empreendimentos, trabalhando no canteiro de obras e vivendo nestes espaços.  Hoje temos um ciclo de políticas de habitação: elas fazem parte de uma estratégia de desenvolvimento do país. Porém, a impressão geral, dentro e fora dos movimentos, é que os mais estruturados – que frequentemente ocupam espaços de participação institucional – estão quase sem ação. Muito deste resultado se deu devido às características do processo histórico da construção democrática.

Nossas perguntas-guia, portanto, são: as experiências autogestionárias de produção concreta do Habitat fazem parte de um projeto para viver diferente? No que consiste este projeto hoje?

Para levar adiante estes questionamentos em busca de propostas práticas e exequíveis, nos integramos e uma rede de cooperativas com o intuito de prover assessoria e contribuir no debate organizativo prático e político das entidades. Também criamos o  1º Ciclo internacional de debates, PRÁTICAS DE MORAR: produção, gestão e vida coletiva.

Apostamos na articulação dos movimentos sociais e na força que já foi demonstrada na demanda e na mudança de programas como o PCS e o PHPE e do FNHIS, para afirmar que eles, sim, podem vir a ser uma força de produção diferenciada do espaço urbano. Afirmamos, porém, que ainda não são. Serão uma força de produção capaz de afrontar a produção capitalista quando a produção do Habitat, da vida como um todo, for uma prioridade dos coletivos. Como afirmou Pedro Arantes no primeiro debate:

“Ou a gente cria práticas anti-hegemônicas, ou melhor, não fazê-las. A partir do momento que o movimento aceita que a construtora faça a obra, que não tenha formação política, que o projeto seja ruim, que seja em qualquer lugar, então vamos encerrar. Então não precisa de movimento, nem de grupos organizados, nem de arquitetos e militantes apoiando. Então este é o impasse fundamental. Ou estamos construindo o poder popular em direção a uma outra sociedade, ou vamos fazer outra coisa.”

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